
Dia desses, assaltou-me insólito pensamento,
Arroubo, sórdida crise, talvez auto-piedade,
Quando estava a pensar em quanta andança
perde-se o homem, ao chegar à minha idade.
Quem poderia imaginar, qual meu amigo?,
veria assim o sem-juízo, o bruto, o insolente,
mudado de rebelde em pacato ser pensante
de família – e mais que isso –, convertido clérigo?
Nada disso, porém, foi que me entrevou de medo!
Foi pior, digo: foi assim uma espécie cruel de fantasia,
a ver-me andrajoso e mendicante no futuro, um dia,
Não a esmolar poder, riqueza, veste ou iguaria.
Mas a implorar a todos pelos amigos que partiram
riquezas minhas, todos dos quais me separei tão cedo.