Friday, March 17, 2017


Wednesday, March 15, 2017



Saturday, January 18, 2014












VIAGEM COM A LUA

A lua, cedo, distrai o escuro céu.
A mente ao sonho entregue...
A porta, a luz, a nuvem, muro,
o ser expande-se, viaja, e segue.

Alheia ao sol,  que arranha o leste
no levante, e aos poucos doura o alto,
esvai-se ela, em seu silêncio branco,
lindo, claro, diáfano, celeste, e cede

ao dia a crescer, imenso e quente. Imagem
de um turbilhão de sons, de cores e perfumes,
a desnudar o quase nada restante da noite.

O coração ao sonho pede e insiste tanto...
A mente clama outras manhãs, iguais e mansas,
Que na alma inflamam tão doce encanto. Viagem.

18/01/2014

Thursday, January 16, 2014



MANHÃ NA ESTRADA

Cedo a névoa
escurece a estrada
em trechos
iluminada
por luzes amarelas
pálidas, dormentes.
A mata coberta
de neblina,
na manhã cinza,
como que espreguiça
aos primeiros raios
do sol quente
que desponta.
E a brisa acaricia
os montes com
sua canção alegre
e refrescante.
E a minha alma
sempre distraída
como que desperta.
É a estrada!

16/01/2014

Saturday, August 03, 2013

POEMA PEQUENO

Pedro Favaro Jr.(agosto de 2013)



Um poeta 
Encontra porta
Mesmo só no branco
Ou na letra torta
Nunca veta
Por destreza
Ou por ética
A possibilidade
De se ver a beleza
Ou achar a morte 
Seja no menor fato
Na coisa mais amena
Por atitude sabe
E experimenta que
Poesia, que a palavra,
Jamais será
coisa pequena.

Friday, April 23, 2010

ILUMILHA

Brilha luz.
Reluz!
Teu brilho
Pontiagudo
Clareia
A minha
Trilha.
Brilha!
E no teu
brilho

me conduz.




Resplendor


Faz algum tempo se espera
Faz algum dia, uma hora.
Um não- sei- que rarefeito

E quando menos se vê
E quando se encontra menos,
Nota-se uma nada se quer!

Salve mundo gigante!
Salve escada rolante!
Salve esse banco encardido,
Salve-se quem puder!

Tudo em palavras, em pontos.
Em muda resplandecência,
Sílabas desencontradas,
Crianças, sonhos, mulher...

Tuesday, April 20, 2010

Tarde paulistana

A luz avermelhada lambe
As galhadas encobertas
De poeira cosmopolita.

O poente incendeia o céu
Na linha do horizonte,
Sob a ponte “Júlio de Mesquita”.

O sol morrendo no Oeste
Em solene presságio anuncia,
Na sofreguidão da tarde paulistana,
A noite que desnuda o dia.

Imersa, a imaginação vai, transita
Em êxtase ou talvez em agonia,
Na neurose marginal desta avenida.
Peregrina, na contra-luz. Poesia!

Gritos escondidos

A história e mesma
Dos mesmos sempres
Entre os fracos
E os valentes
Das falcatruas
Indecentes
Dos roubos
bem fornidos

Ninguém quer ver
Quer enxergar
Nem quer ouvir
Os gritos escondidos

Da vala aberta
Vala comum
Onde os povos
Acabam um

Em Saraievo ou em Kosovo
No Haiti, em Bagdá,
Na Palestina ou em Faluja
Em Israel, no Paquistão,
Entre afegãos
De velhas tribos
Ninguém quer ver
Quer enxergar
Nem quer ouvir
Os gritos escondidos

No Haiti, em Bagdá,
Na Palestina ou em Faluja
Em Israel, no Paquistão,
Entre afegãos
De velhas tribos
É a mesma guerra
Feroz e suja
Fria e fatal
De homens sem coração
Ninguém quer ver
Quer enxergar
Nem quer ouvir
Os gritos escondidos

Gemidos abafados
De velhos esmagados
Mulheres sem maridos
Meninos soterrados

Nas fotos dos jornais
Caixões são proibidos
A guerra não tem sangue
Nem dor,
nem tem gemidos.
Ninguém quer ver
Quer enxergar
Nem quer ouvir
Os gritos escondidos

Dos feridos
Dos mutilados
Dos guerreiros
combalidos
Dos rebeldes
quando explodem
De tanto sangue
aspergido
Das colunas
de soldados
Que não sabem
por quem marcham
Ou por quem
devam lutar

Ninguém quer ver
Nem quer ouvir
Quer enxergar
Os gritos escondidos.